27. February 2019

Two articles by Eugenio Barba published on-line in Brazil

The two articles are currently published on-line and can be accessed via www.scielo.br (or open the link to pdf-files below). The articles will be part of a special edition of Revista Brasileira de Estudos da Presença celebrating the 55 years of Odin Teatret - due out in July 2019.

New Words for Ancient Paths

Every age dreams of the previous one, said Jules Michelet. While daydreaming about past theatre ages, we invent our own technique moving along ancient paths. We feel the need to forge words which belong to us and may evoke our mirages and presumed conquests. It is good to ponder over the names of ancient ways but, equally, it is useful to re-baptise regularly the terms of our working language.

Today actors apply a technique which doesn’t aim at fixed forms and patterns nor does it respect well-defined ‘rules of the game’, as in the case of performances with a pre-arranged codification like ballet, kabuki or kathakali. I speak of the actors in those theatres which lack or refuse a codified tradition, and have no specific stylisation or recognisable manner. These are theatres with a particular destiny or vocation: they live as if they were always in a statu nascendi, in an emerging state or in the constant condition of the new beginner even if they have many years of experience.

Such theatres are generally qualified as experimental, laboratories or simply group theatres. They correspond to an important independent tradition. A tradition of the new sounds like a poetic oxymoron, and it is indeed a contradiction. But this incongruity is an essential part of the history of modern theatre.

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Source: www.scielo.br

O Instinto de Laboratório

Ensinar a Aprender e Aprender Ensinando Apenas refiz do meu jeito aquilo que aprendi. Nunca me esqueci de alguns oficiais do colégio militar de Nápoles, onde estudei, e suas diferentes formas de tratar os jovens cadetes indisciplinados e metidos a besta. Em sua oficina de Oslo, o soldador norueguês Eigil Winnje me mostrou como a força do exemplo e o orgulho do trabalho bem executado unem um grupo de artesãos. Em Opole, na Polônia, Jerzy Grotowski me revelou que o teatro não é somente um espetáculo bem feito.

Quando tinha vinte anos e estava no Golfo da Biscaia, aprendi em poucas horas que podemos ultrapassar nossos próprios limites. Eu havia acabado de embarcar como marinheiro num navio mercantil norueguês quando uma tempestade explodiu. As ondas faziam o chão balançar sob meus pés. Comecei a vomitar, fiquei mareado, não estava mais aguentando. Não tinha mais forças. Saí da sala de máquinas e me refugiei na minha cabina. De uma hora para outra, uma onda poderosa me lançou no ar: era um oficial de quarto da navegação, um homem gigante, com expressão gentil, que tinha me levantado e dizia em voz baixa: “Você acha que está num cruzeiro? Volte ao trabalho!”. E ali, ajoelhado, rolando no chão e me levantando segundo o ritmo daquelas ondas imensas, durante várias horas limpei o chão de metal todo oleoso da sala de máquinas, lavando até os rastros do meu vômito.

Meus atores é que me ensinaram a ser diretor. A partir de seus corpos e graças às suas dificuldades e insuficiências, à sua tenacidade e à diversidade de soluções que encontravam, aprendi – na prática – o artesanato teatral, com seus esoterismos e voos pindáricos. O ritmo de crescimento era diferente para cada um, assim como o tipo de relação que eu tinha com eles. Não havia um método que funcionasse para todo mundo.

Por trás do meu rigor, nutri pelos meus atores um amor especial que misturava gratidão e ternura. Foi por isso que lutei para que não me abandonassem. Para ir ao encontro de suas necessidades e individualismos artísticos, precisei mudar constantemente os meus hábitos, as dinâmicas internas do nosso grupo, a estrutura organizacional e operacional do teatro. Essas mudanças geravam incerteza e excitação em todos nós: pareciam um novo início que revitalizava a repetitividade do ofício. Esses “terremotos”, esses esforços para acabar com a rotina da nossa microcultura, são um dos fatores da longevidade do Odin Teatret. Mesmo depois de desenvolverem suas próprias asas, alguns atores continuaram lá; e outros, que saíram em busca de novos horizontes, sentiram a necessidade de voltar ao “laboratório” que tínhamos construído juntos.

Se o teatro é uma ilha flutuante, os companheiros que escolhi – que formei e que me formaram – determinaram sua duração e seu modo de flutuar. No fundo, trata-se de vínculos afetivos. Será que esse amor especial, que mistura gratidão e ternura, é um método que pode ser ensinado?

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